segunda-feira, 13 de abril de 2015

O ousado ato de amar.

"Quando recitada pelos bardos, poucos ousaram acreditar.
Do dia em que a princesa do Mar invadiu os desígnios do ar.
Camponeses e plebeus fizeram festas sem igual.
O maior amor do mundo, antes lenda, se fez real.
Diz-se que o Destino os uniu no dia anterior.
Mas sob instantes vespertinos, a noite os desanuviou.
Fizeram uma promessa debaixo de um véu de estrelas.
Se veriam na manhã posterior, tão logo amanheça.
O Destino, feliz, os cobriu com seu manto.
Nada e nem ninguém quebraria aquele encanto.
O Sol raiou.
O príncipe acordou.
Certo das suas cercanias, temeu pelo excesso de bondade.
Sem notícias, rezou aos Céus que trouxessem a sua felicidade.
Ela, rumou a distância de dois mundos.
Guetos, ruelas, favelas e becos imundos.
Um estalo fez seu corpo arrefecer.
Ela lhe pedia o que ele mais queria ceder.
Nublou os olhos quando pelo alto do castelo ousou ver.
"Amor, onde tu estás? Cadê você?"
Voou pelos cômodos sob a luz de um temporão.
Vestiu sua armadura, usada na eterna união.
Correu com afinco até os portões do seu castelo.
Então ele a viu, sorridente e com aquele olhar singelo.
Imaginou por tudo o que ela passou.
De portões abertos, para protegê-la, logo a abraçou.
Tocaram os lábios em respeito.
Enquanto o resto do mundo, os olhava sem jeito.
Pela sua moradia, adentraram.
E diante dos nobres, se apresentaram.
O que se conta dali então, foram momentos de pura alegria.
Subiram aos Céus sem nenhuma arredia.
No primeiro momento, o beijo.
Com todos os gostos, de todas as formas e todos os trejeitos.
Ficaram a sós, juntos, de corpos colados.
O Destino graceja o Tempo ao ver as almas unidas ali, lado a lado.
No intervalo depois, sentiram o quarto frio.
A princesa decide lhe fazer um desafio.
Uma música adentra a penumbra de suas mentes.
A lira tocada, faz suas almas agirem de forma eloquente.
Do ventre ao âmago, a fervura.
De corpos colados, e beijos amassados, a candura.
Deixaram se levar, sozinhos, à quentura.
Riram em uníssono das suas próprias loucuras.
Assim, viveram a primeira manhã de suas vidas.
Que nasceu pela princesa em sua extrema ousadia.
Onde os bardos contam e eternamente irão relembrar.
Que amor quando é para sempre, até a manhã de segunda faz-se perfeita para amar."

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