sábado, 7 de março de 2015

Estamos juntos!


Nos despedimos.
Uma escada rolante se agigantava à minha frente.
Insolente, praguejei contra meu próprio corpo.
Meus olhos permaneciam virados àquela moça de vestido azul e verde.
Ela rumava num caminho contrário ao meu.
"Eu quero andar junto com ela.", pensei.
De tanto matutar, rememorei.
30 minutos antes, estávamos em outro lugar.
Tão quente quanto aquela mulher de olhos e longos cabelos negros.
Ela é um vulcão.
E sob ela, meu corpo treme como em terremoto.
É o que ela me causa.
Como se tentasse controlar dentro da minha alma a quantidade de sentimentos e emoções exacerbadas que eu tenho por ela.
Não adianta muito e o corpo expele.
Os corpos se apinham, as mãos se juntam, os lábios se tocam e as línguas se contorcem.
Uma, duas, três, infinitas vezes.
E à medida que o tempo se esvai, a despedida se aproxima.
Entre risadas e devaneios, ela rodeia meus braços em seu corpo.
E acende o que já estava pegando fogo.
Suas chamas me contaminam da melhor forma.
Saio em êxtase dos seus toques.
No abraço final, aquele mesmo pensamento ronda a minha mente.
Entre carícias e sussurros, tudo foi dito.
Naquele abraço.
Já no topo da escada, eu não a via mais.
Respondendo ao próprio pensamento, um antigo ditado.
"Um passo de cada vez. Primeiro o Sol nasce, depois vem a Lua."
As palavras no relembrado abraço foram ditas em uníssono.
E sucintas.
Como se me respondesse dali para frente.
"Estamos juntos sempre."
E para sempre.

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