sábado, 10 de janeiro de 2015

Carta ao Mar.

"Eis que aqui, o filho do Céu escolhe argumentar.
Estás neste aglomerado de frases, logo abaixo, todo o meu pensar.
Adjunto ao sentimento que carregava a cá, pensava em um 'nós'.
Sabia que o calor vindo lá de cima, fazia muito bem a vós.
E até solicitei em estado de loucura, aos deuses, dois sóis.Mas a resposta foi feroz.
Recebi um Mar atroz.
E engolido, fui soçobrado até a foz.
Tratado como calhorda, permaneci insosso.
Mendigo, maltratado, mentiroso.
'O que fazes a mim?', bradei ao destino.
O silêncio dele trouxe-me a dúvida de um atino.
Entre questionamentos, um ódio simples a alimentar.
Por debaixo dele, o indelével, que não se atreve a apagar.
Decerto, os opostos se atraem.
Amor e ódio são irmãos que não se distraem.
Apenas se destroem.
Servem-se do alimento que, à mesa, se põe.
Mas depois de tempos, a mensagem oferecida como um belo caviar.
Passos depois, a afirmação de outrora, pela manhã, sem titubear.
O tal sonho perdido retorna ao ouvido.
O destino sorri, oferecendo-lhe mais do que qualquer abrigo.
Faz, então, meu corpo acelerar.
O coração agita-se pelo palpitar.
Em resposta, o Céu explode ao tudo clarear.
Por dias e noites, sem pestanejar.
O terreno de águas, volta a acalmar.
E de ondas e em ondas, torna a me chamar.
O ódio certo é incerto quando o verdadeiro vem nos tocar.
Não adianta, de forma alguma, recuar.
Pois a saudade quando saciada, torna fato o almejar.
A recíproca é única.
E traveste-se sempre da mesma túnica.
Amar é amar.
Você, nós, incondicionalmente, meu Mar.

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