sábado, 28 de abril de 2012

Ê, Jorge.

Ê, Jorge.
Dia 23, seu dia.
Bem queria estar na sua alvorada.
A emoção dos fogos, das pessoas, esses momentos que são impagáveis na memória.
Mas eis que algumas forças nos move a outros caminhos, outras histórias.
Espero ansiosamente pelo caminhar até você.
Mas vejo tudo se esvaindo, esvaindo e já não consigo lhe ver.
Já é dia, sou acordado reluzindo a possibilidade da visita.
Óbvio que não deixaria passar.
Tomo café, arrumo minha roupa e vupt!, estamos a caminho.
Uma pequena possibilidade de ao menos a entrada estar um pouco vazia.
Ledo engano, guerreiros e guerreiras, unidos numa só vocação.
Um mar de vermelho toma conta da porta da sua igreja.
Não é sangue, mas certamente todos o dariam a você para que estivesse conosco.
Uma multidão irrompe ruas adjacentes, impressiona.
Rumamos por ela e o máximo que conseguimos é estar na frente do seu templo.
Uns 50 metros a frente está a porta de entrada da igreja.
Mesmo dali, a imagem parece estar bem aqui, na minha frente.
A emoção é forte e eu já começo a me entreter.
Rezo, peço e sorrio quando o choro descer.
É hora de partir e aí começa a verdadeira história.
Acho um local de onde posso levar algo seu para a minha memória.
Uma imagem de tamanho não muito significativo mas de um significado especial.
Não pelo valor, mas por seu meu e seu valor sentimental.
Chego em casa e só aqui dou conta do que aconteceu.
De tudo o que levei, apenas a imagem a moça esqueceu.
Era hora de pensar no que fazer.
De forma instantânea, uma força me diz o meu caminho.
Peguei minha blusa, e rumei pelas ordens do destino.
Havia se passado bastante tempo desde que havia saído de lá pela primeira vez.
E mesmo assim, a imagem estava lá, esperando a minha chegada.
Jazia aí, minha primeira pequena prova da honraria passada.
Recordo que meus irmãos estavam sem uma mostra.
Levo pra eles algo que logo ao olhar os trazem felicidade.
A tarde eu não consigo me conter.
Caio na cama e adormeço por adormecer.
Lembro apenas de sonhar intensamente com futebol.
Espero um dia, voltar e agraciá-lo com esta minha paixão.
A noite chega e mais uma prova se cria em minha frente.
Aceito o desafio e com a minha irmã, tomo o caminho uma vez mais.
Desta vez, a igreja está mais vazia.
Pela primeira vez, entro por completo na igreja.
Pela primeira vez, sento num banco da sua morada.
Pela primeira vez, chego tão, mas tão perto da grande imagem.
A energia que este local carrega é de arrepiar.
Sinto-me livre e com humildade, bastaria apenas pedir, só falar.
Rezo, e na inevitabilidade, o choro cai.
Ainda não me vejo forte o suficiente para controlar essa força toda.
Cada ano que passa, vejo que aprendo, controlo o meu mas o todo é grande demais.
Por vezes imagino e entendo o que faz.
Da humildade se faz o homem.
O homem que ouve todos os lados.
E que ouve em todas as línguas.
A culta, a do malandro, a do sábio, a dos que precisam e muito mais.
Sem distinção ou forma.
Apenas com o intuito de fazer o bem a quem o tem.
Um exemplo do homem de bem.
Fazê-lo sem olhar a quem.
Ê, Jorge, espero ser um bom soldado naquilo que você faz.
Dia a dia e em cada dia, aplicar a lição que você nos traz.
Salve Jorge!

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