"A chuva enfim, cai.
O desânimo me toma como a queda de um raio.
Adentra sem que haja uma barreira sequer.
Com o rosto molhado não se fez possível secar o rosto.
O lacrimejar dos olhos encharcava-me tanto quanto a chuva.
Esta triste e enfadonha sintonia expunha mais do que a real conjuntura.
Na necessidade de refletir, este apenas me consumia.
O que deveria servir a melhor, tragava-me ao desalento.
Eram as dores.
De todos os tipos, formas e jeitos.
Criando impossibilidades nas coisas possíveis.
Abalroando-me com meu doce mais precioso.
E se não bastasse a garoa, ainda viria a tempestade.
Que de forma violenta e escamosa, bradou os lamentos encrustados.
Não havia mais água, era uma torrente invisível.
E assim, deixando lastros e sequelas por toda parte.
São inúmeros fatores.
Verdades por fim ditas, partes doloridas, e o fim de uma vida querida.
O ano começa de um modo estranhamente traiçoeiro.
Impondo a mim, todas as dores de Janeiro."
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