sábado, 21 de maio de 2011

O Guerreiro da Lua Cheia - Parte 2.

"As batalhas o esperavam.
As lutas o chamavam.
Porém perguntas povoavam sua mente.
Ele toda vez hesitava e pensava.
“Estarei eu, pronto pra uma outra briga?”
Com uma mente incontrolável, tomou a decisão de estabilizar-se.
Decidiu lutar algumas batalhas simples.
Entre vitórias e derrotas, não se sentia a vontade.
A última grande batalha tinha sido dura e ardilosa.
Um perigo jamais passado por ele.
Um perigo que o levou a Deus.
Um perigo que levou Deus a interferir.
Sua última batalha havia ultrapassado os limites.
E deixara sequelas.
As noites caíam e nele, apenas a certeza de que deveria caminhar pelos campos relvados.
Dia após dia, sua insegurança o tornara fraco.
Sua Lua o queimava.
E quando a mente falha, o corpo padece.
Sua mente o traía.
Ela não o fortalecia o suficiente.
Mas sentia que não podia parar.
Lutas iam e viam.
Muitas das lutas ele nem lutava, apenas acompanhava.
Distraia-se durante os dias claros.
Porém se endividava de dúvidas quando a noite chegava.
Imaginava se tinha agido certo.
Se o fim tinha sido correto.
As batalhas ainda estavam fresca na sua cabeça.
E as marcas abertas em seu corpo.
Tinha certeza de que só o tempo poderia ajudá-lo.
Todavia o tempo era lento.
A escuridão da sua hesitação o enforcava.
E novamente, após noites e noites de angústia, recolheu-se.
Adentrou para sua moradia.
Estava ciente que daquele jeito, não olharia para nenhum dos céus.
Nem o mais azul, nem o mais negro.
Seja ele limpo ou com estrelas.
Seja à luz do Sol ou à luz da Lua.
E ele sabia que um dia ele teria de voltar e enfrentar seus próprios medos.
Deitou e por ali permaneceu por dias.
Até que em seus sonhos finais, uma vaga lembrança do passado.
Imediatamente acordou.
Correu para os céus e aprontou-se a meditar.
Recarregava sua mente a ponto de lembrar de tal sonho.
Recordava.
"Era uma batalha diferente também. De uma intensidade parecida."
Aquela batalha havia deixado uma imensa marca em seu peito.
Foi sua primeira grande batalha.
"Ela foi rápida, cruel e rasteira. Uma luta semelhante."
Era de se esperar que essa batalha fosse revivida em sua memória.
Nunca tinha lutado com tanta intensidade em uma luta quanto aquela.
E recordava outro ensinamento de seu mestre.
"Quanto maior a força exercida, maior a dor sofrida."
Lembrava-se que aquele episódio deixara uma enorme marca em seu peito.
Pensara em nunca mais lutar.
Pensara em jamais batalhar uma luta deste tipo.
E com o tempo, foi se curando e preparando terreno em sua mente para recusar tal tipo de batalha.
Tempo esse que futuramente e inevitavelmente iria lhe trazer outra luta deste naipe de volta.
Tempo este que lhe curou.
O mesmo tempo que lhe impôs um medo e que estaria a lhe curar novamente.
Abriu os olhos.
A Lua estava pela metade.
Perebera que até sua Lua, nem sempre seria a mesma.
E que outrora voltaria a passar pela sua fase completa.
Sabia que mesmo que não goste e não queira, as coisas se repetem.
Não de igual intensidade, não igualmente.
Percebia, porque mesmo que a sua Lua voltasse a ser cheia, não estaria no mesmo ponto exato do céu que vira outra vez.
Julgou que mesmo a Lua, passava por fases não-cheia, ele também poderia passar por fases não muito agradáveis.
Estava mais leve e solto.
Seu corpo voltava a funcionar normal.
Novamente, ele achava que não havia dúvidas em sua espada.
Ele desce dos céus e caminha para os campos onde se sentiria completo.
carregava consigo, o sonho da noite anterior.
O sonho fantasiado e revivido em seu sono.
Mas ao chegar aos campos, percebe algo que já fora seu.
A sua antiga luta, marcada em seu peito, não era mais do que um sonho.
Era uma realidade posta novamente ao seu alcance.
Olha para os céus e percebe a ausência da sua Lua.
Sua espada tremula.
Seu medo o faz ajoelhar.
E desesperadamente pergunta a si.
"O que fazer?"
Da dúvida, uma lágrima correu de seus olhos pelo corpo não tão viril quanto antigamente.
Porém, aquilo que o fez cair foi quem o levantou.
A realidade condensava nele forças estranhas.
Talvez emanadas daquele céu que apenas assistia.
Verdades que brotavam de toda e qualquer partícula que o envolvia.
Ouvia, via, sentia.
Segundo a segundo, minuto a minuto.
Para cada conexão, seus ombros levantavam.
Para cada dúvida sanada, sua espada readquiria forças.
O real a sua frente remetia a tempos passados.
Ao sonho sonhado.
Todavia, com ele sábias palavras.
"Seu medo de tentar, impôs sonhos como treinamento para quando necessário agir."
Do passado bem distante a força num presente ao seu alcance.
Ao fundo, uma Lua relutante querendo sair.
Lua nova.
Como o novo guerreiro que acabara de nascer."

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