Um ano.
Tempo por tempo é tempo demais.
Criado em um início de promessas.
Um meio de desleixos e desapegos.
Com um fim não triste nem feliz mas diferente do imaginado.
Com o intuito de encontrar respostas, viajei na solidão.
Só, me tornei solidário a mim mesmo nesta busca pelas respostas deste ano.
Era impossível imaginar um ano em um dia.
E foi preciso mais.
Muito mais.
Percorri ao início.
Sonhei no meio.
Acordei no fim.
Talvez tarde demais.
As conclusões, por mais confuso que seja, eram óbvias.
As respostas já existiam, bastava a mim, abrir os olhos.
Estava tudo a minha frente.
E de fato estava.
Sempre esteve.
Mas não a via.
Talvez não quisesse ver.
E disso nasceu uma rachadura.
Desde o início, acreditei que esse seria o ano da redenção.
E ao longo dele, algumas atitudes não foram tomadas.
Em outras, algumas atitudes tomadas não foram corretas.
E por fim, algumas atitudes erradas não foram consertadas.
Toda esta falta de conserto gerou uma nova rachadura.
Num ano de festas e mais festas, as verdades vieram à tona.
Num ano de quebras e reencaixes, mais e mais remendos.
Nesta selva ridícula e inócua, me enojo de ver certas atitudes.
E todas essas juntas, fizeram nascer mais e mais rachaduras
Corações partidos, laços quebrados.
Olhos frios e sorrisos calculados.
A frieza vivia ao meu lado e eu não sabia.
Apertos fingidos.
Abraços hipócritas.
A inveja estava ao meu lado e eu não via.
Lentamente, isto me corroía mais e mais.
Piorando a situação, sem eu saber.
Ou talvez, sabendo mas não vendo.
Era difícil descrever, imaginar e calcular toda esta situação.
Havia se tornado maior que eu e completamente incontrolável.
No ano da redenção, eu estava rendido.
Já não havia mais jeito.
Nem tinha solução.
Talvez.
Para solucionar grandes problemas, um basta foi necessário.
Parei.
Mestre das soluções, o tempo foi a chave para as minhas novas perguntas.
Recluí-me dias e dias afim das novas respostas.
Olhares, sorrisos, apertos, abraços e atitudes.
Histórias, contos, fatos e sonhos.
Tudo era recontado com a idéia de se encontrar aquilo que eu havia perdido.
Refletia e tentava juntar os cacos de tudo aquilo que havia passado.
Tais cacos cortavam e dilaceravam-me de uma forma cruel e massante.
Era o castigo por viver de coração fechado.
Olhava aos céus e eles queimavam minha vista.
Era o castigo por ver pelos olhos e não pelo coração.
Tentava tocar a Lua mas ela se mostrava distante.
Era o castigo por querer acreditar que se a tinha.
Eu tinha tudo mas não tinha nada.
Era o castigo para aquele que se achava inexpugnante.
Difícil.
Como um ermitão, acudi-me enquanto era tempo.
Tempo que foi generoso.
Tempo que me trouxe as devidas respostas.
Ainda não tenho nada.
Mas tenho muito.
Muito mais que o nada.
Não há mágoas nem ressentimentos.
Nem vinganças nem tormentos.
Acabou.
Um próximo ano está por vir.
A expectativa vinda dos céus é grande.
E chegou a hora de uma nova largada.
A história só termina quando o livro fecha.
Calejado, as rachaduras estão frescas e sob cuidados.
Pra curar esse mal, o frio se torna necessário para que as feridas continuem fechadas.
Todavia, toda ferida gera cicatrizes.
Que mesmo curadas, marcam para toda a eternidade.
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