domingo, 10 de abril de 2011

Que o sonho não termine.

"Sonhando.
Assim estava quando debaixo de um céu cinzento, você finalmente apareceu.
Difícil acreditar que estava ali, a poucos metros.
Precisava fazer algo.
Firmei meus olhos nos seus.
Quase que simultaneamente, os seus viraram aos meus.
A situação pegou-me de jeito.
Meu coração pulsava de modo desordenado.
Meu corpo, inerte, esperava um breve comando.
Minhas mãos, tremiam.
Porém, apesar dos pesares, essa sensação era boa.
Sinal de que tudo o que já havia passado em sonhos era de fato uma verdadeira realidade.
Todo guerreiro que se preza, conhece o manual de uma batalha.
Aquele que ataca primeiro, tem a vitória e a derrota em mãos.
O golpe certo, o acerto, a vitória.
O golpe falho, a chance do contra-ataque, a derrota.
Mesmo assim, era necessário mais do que uma simples lição de batalha.
Envolvia mais do que simplesmente um golpe.
Eram meses de espera.
Eram dias de tortura a espera daquele ínfimo momento.
E ele chegou.
Perfeita.
De olhos negros, um sorriso cativante embelezada por um tom róseo de forma inesquecível.
A menina que eu sempre quis ver, estava diante dos meus olhos.
Era necessário dizer algo.
Balbuciei algumas palavras.
Cercada de irmã e amiga, o nervosismo e a sensação de não saber o que dizer, tornavam a situação no mínimo engraçada.
Continuei a tentar.
Não era permitido desistir.
Mas fui obrigado a abortar.
Não sei se era o destino ou se era simplesmente a minha bexiga pedindo arrego.
Saí e na volta não a vi mais.
Senti sua falta.
O céu que já não era dos melhores, para mim estava ao ponto de trovoadas.
Inebriado por uma força estranha, tornei-me forte o suficiente a fim de procurar uma segunda chance.
Chamei seu nome uma, duas... vinte vezes.
Já estava desacreditado, tomado pela escuridão quando de repente o coração vibra.
Diante de conexões tecnológicas, vejo seu nome novamente.
A força que tomava conta de mim, vedava qualquer tipo de sentido contrário ao sentimento.
Ouvi sua localização.
Era chegada a hora de procura-la em meio a multidão.
Eu fui, voltei, olhei, reolhei e nada.
Uma, duas.. dez vezes.
Ao mesmo tempo que a felicidade batia no meu peito, aquela escuridão pairava diante dos meus olhos.
Motivos e motivos a desistir.
Com o final do dia chegando, era mais do que necessário correr contra o tempo.
Então, quis o destino que a verdadeira conjunção fosse ali, no início do fim.
De longe, um avistou o outro.
Seu sorriso logo me quebra de cara.
Paro pra conversar, e olho nos seus olhos.
É de uma magnitude sem tamanho.
Algumas são palavras ditas, alguns pedidos são feitos.
Dos pedidos, um dele se revela.
Uma Lua e um Infinito.
Uma troca.
Troca que através de, em teoria, simples objeto, ganhou forma e tamanho suficientes para marcarem vidas.
Para sempre.
Me despedi.
Estava feliz, solto e contente.
Pude andar com você, dar a mão a você, ouvir você, tocar você.
Não o suficiente, mas apenas o necessário para te responder qualquer pergunta.
No fim dos fins, o sonho realmente não iria terminar.
Ainda.
O tempo foi passando.
A felicidade absoluta foi se esvaindo de forma um tanto assustadora.
A certeza de antes era a dúvida de agora.
Como um lutador semi-nocauteado, as situações iam cambaleando.
Não por você, mas por mim.
As dúvidas maltratavam.
Abriam feridas antes saradas.
Tornavam as certezas mais certas nas maiores incertezas.
O tempo corria.
Aquele sonho, por vezes, brilhava algumas vezes ao dia.
Não com a intensidade de antes.
Não com o brilho de outrora.
Contudo, eis que o destino nos proporciona uma outra chance.
Uma festa.
A sua festa.
Essa sim, a possibilidade perfeita de enfim, manter latente aquilo que não pulsava no ritmo de antes.
Os dias passando e isso fazia com que o coração acelerasse novamente.
A ansiedade toma conta.
Chegou o dia.
O todo gira em favor de tudo.
Umas notícias, umas desculpas, uma negação, um sono.
O dia que estava claro de céu azul torna-se negro como os confins do universo.
As nuvens densas impedem que a Lua deixe seu brilho tomar conta de mim.
O tempo havia passado.
Já era tarde demais.
A sua felicidade hoje talvez esteja completa.
Na minha felicidade hoje mora a certeza de que não fiz a coisa certa.
A tristeza toma conta de uma forma que eu não esperava.
Aborrecido, passei a noite em silêncio.
O dia em silêncio.
Tentei esboçar sorrisos, correr, pular, brincar.
Foi difícil.
De posse do infinito, juntei forças para escrever.
Bastou ele para me fazer todo esse texto.
À você, minhas mais sinceras desculpas.
Que o sonho não termine.
Não ainda.
Nem jamais."

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