"Era uma vez um guerreiro.
Um guerreiro que jamais deixou de lutar.
Mas que com o passar do tempo, aposentou a sua espada.
Não tinha mais vontade, mais tesão em lutar.
Até que, dos Céus, um fogo reacende aquela chama apagada.
Uma batalha um tanto quanto nova para este.
Luta que se segue.
Ferrenha, dolorida, ardilosa.
E ele, continua a batalhar.
Mas numa devida hora, sua força dá uma recaída.
Seus ombros relaxam, sua cabeça se abaixa.
Sua magnitude que até então nunca foi questionada, entra em declínio.
Está cheio de perguntas e há confronto de idéias em sua cabeça.
Se recolhe e sobe aos céus para meditar.
E de lá, novamente, vem uma fonte de energia.
Era uma noite de reflexos e devaneios.
Um imenso céu escuro, como sua mente permanecia, o sondava.
Mas a luz que lhe faltava, brilhava intensamente naquele mar de solidão.
A Lua.
Relembrou de momentos e lamentos. Do início simples até o meio tortuoso de onde se encontrava.
E nas palavras de seu mestre, recordou o ensinamento de um sábio antigo.
"As nossas maiores dúvidas permanecem porque ainda não fizemos a pergunta correta."
Aquela Lua o fizera mudar de rumo.
Já não havia mais dúvidas com ela.
Estava carregado de emoções fortes.
Fortes o suficientes para, se possível, mover montanhas ou abrir os Céus.
Ele volta ao campo.
A batalha ganha transtornos dramáticos.
Para toda e qualquer dúvida, ele trocava olhares com aquela onipresente esfera branca lá no alto, renovando-se.
A vitória está ao seu alcance.
Entretanto, vem o silêncio.
Silêncio esse, estranho e confuso.
Os Céus se enchem de nuvens e sua Lua já não aparece mais.
Sua esperança de renovação já não é mais a mesma.
A batalha, ontem em suas mãos, amanhã estaria bem longe de onde pudesse alcançar.
As nuvens se dispersam.
Alguns vestígios da batalha ainda continuam presentes na mente dele.
Mas seu ideal de luta está fraco e ele vê que os motivos não eram mais suficientes.
O silêncio o deixara mais frio.
Ao se dirigir novamente aos Céus, olha novamente àquela Lua.
Lua capaz de regenerá-lo.
Lua capaz de fazer-lhe o bem que sentia ao lutar nos 'fronts'.
Todavia, o mesmo guerreiro já não via a Lua com a mesma intensidade.
Ao passo que levantaria e bradaria aos 4 cantos do universo a sua força, ele se sentia acuado e desprotegido.
E perto dos Céus, pediu a Deus que fizesse algo por ele.
Deus para não vê-lo sofrer, o proibiu de olhar para o Céu.
Deus lhe deu 7 dias de nuvens a noite para que se acostumasse.
Nuvens ao alto, e assim, sem motivos para olhar para cima.
Os 7 dias iam se passando e ele via que seu motivo para lutar estava se transformando.
O motivo estava mutando.
Essa mutação o corroía.
Primeiro o silêncio, depois a mudança.
Nada mais o deixara tão frio e ardil.
Então, terminado os 7 dias, para aquecimento um Céu escaldante pela manhã.
A noite chega e é hora de enfrentar o que vem de cima.
O Céu está magnífico.
As estrelas brilhavam, reluziam como ouros e pérolas.
Deus espera o homem descer e sair para caminhar.
O guerreiro sobe e volta aos Céus.
"Desculpe meu Deus. A minha luta sempre foi outra. A Lua sempre esteve lá antes de eu começar a lutar. A Lua nunca foi a luta em si. Eu luto por ela.
Luto pela tranquilidade e serenidade que passa. Pela luz calma e transaparente que transmite. Percebo a Lua um tanto distante agora, mas certo de que minha luta,
a trará de volta. Apenas a Lua e não os motivos pelos quais lutei anteriormente."
"Seu discurso é nobre, guerreiro. Mas os Céus ainda estarão lá. E sua dor só aumentará ao olhar para eles."
"As feridas sempre estarão abertas meu Deus, para que assim lembremos o quão árduo foi o caminho, quão saboroso foi trilhá-lo e quão majoritário foram suas respostas."
O guerreiro desce dos Céus.
Encaminha-se para fora de seu recinto.
Sentia que uma nova briga estava por vir.
Novos objetivos, novos ideais.
Sua pergunta já tinha a resposta que equacionava todas suas dúvidas.
A resposta da sua pergunta? Levar sua Lua à sua luta quando a sua luta deveria resultar no brilho da sua Lua.
E sob uma luz lunar e sua devida proteção, ele voltava para os campos de batalha."
Pra bom entendedor...
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